Infertilidade masculina -
Microdeleções do cromossomo Y

 


É sabido que a oligospermia e a azoospermia são causas comuns de infertilidade em homens. Aproximadamente 6% destes homens apresentam alguma alteração citogenética, incluindo translocações, que podem ser identificadas pelas técnicas citogenéticas convencionais - Cariótipo com bandas.

Além disto, cerca de 15% dos homens azoospérmicos e 7% dos que apresentam oligospermia severa têm deleção em alguma das porções do braço longo do cromossomo Y (Yq11). Estas microdeleções não podem ser identificadas pelas mesmas técnicas citadas acima, mas atualmente já é possível, através de técnicas de biologia molecular, detectar a maioria dos indivíduos com deleções do Y submicroscópicas.

A técnica utilizada se baseia na amplificação por PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) do tipo multiplex usando primers para micro-regiões específicas do cromosomo Y. Após a amplificação, os produtos são submetidos à eletroforese em gel de agarose para a identificação da presença ou ausência das deleções. São analisados 8 micro-regiões que compreendem os loci AZFa, AZFb, AZFc e AZFd do cromosomo Y.

A identificação destas Microdeleções do cromosomo Y é importante pois:
- pode explicar a etiologia da infertilidade e, assim, evitar intervenções terapêuticas desnecessárias;
- o tipo de deleção poderá indicar a probabilidade de se encontrar, no tecido testicular, espermatozóides maduros necessários para a ICSI;
- a existência de uma deleção no cromosomo Y implica na necessidade de aconselhamento genético, pois haverá transmissão compulsória de pai para filho;
- levando em consideração que algumas deleções estão associadas a uma mudança progressiva de oligospermia para azoospermia, aos filhos afetados poder-se-ia oferecer, por exemplo, a possibilidade de criopreservação de sêmem para utilização em futuras tentativas de reprodução assistida.

Cabe ressaltar ainda a indicação de identificação de mutações (sendo a Mutação DF508 a de maior incidência) no gene CFTR (cystic fibrosis transmembrane regulator gene) presente em cerca de 75% dos homens com agenesia bilateral de vas deferente e em 43% daqueles com agenesia unilateral de vas deferente. Além da identificação etiológica da infertilidade este procedimento tem importante repercussão na avaliação de risco de Fibrose Cística em futuros conceptos destes indivíduos.

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