
Exames de Diagnóstico
Genéticos
1 - Avaliação
citogenética (cromossômica) de material
fetal
A possibilidade de se avaliar numérica
e estruturalmente os cromossomas humanos em tecidos
que não o sangue, permitiu que se pudesse identificar
intra-utero se o feto é ou não portador
de uma doença cromossômica. A doença
cromossômica mais freqüente, e talvez por
isso, a mais conhecida, é a Síndrome
de Down (antigamente chamada de mongolismo).
É comum que os pais a traduzam como sinônimo
de Retardo Mental e assim confundam a avaliação
pré-natal para cromossomopatias com avaliação
para retardo mental.
O casal necessita receber a informação
de que, embora a maioria das doenças cromossômicas
manifeste-se com algum grau de retardo mental e estejam
associadas a presença de malformações,
nem todos os casos de retardo mental e/ou de malformações
congênitas são causados por problemas cromossômicos,
e assim, não podem ser diagnosticados através
deste exame. Por outro lado, ainda não dispomos
de um exame, ou grupo de exames, que quando realizados
garantam a normalidade do bebe.
Uma situação relevante,
pela ampla abrangência que tem na população,
diz respeito à informação sobre
riscos de Síndrome de Down e
outras doenças cromossômicas para mulheres
com idade igual ou superior a 35 anos - ver quadro abaixo.
Este ponto precisa sempre ser esclarecido, porque gera
muitos mal-entendidos.
O que ocorre é que o risco para
estas doenças aumenta com o aumento da idade
materna, e foi estabelecido, por estudos estatísticos,
que a partir de 35 anos este risco seria considerado
alto e jutificante de procedimento invasivos para avaliação
cromossômica fetal. Assim, nem a mulher jovem
deixa de ter chance de ter um filho com alguma destas
doenças, nem a mulher com mais de 35 anos só
terá chance de ter filhos com alguma destas anomalias.
Trata-se de probabilidades, e a sua valorização
tem componentes tanto objetivos como subjetivos.
 |
| Risco
de Cromossomopatia por Idade Materna |
Idade
-Anos |
Chance
de ter um nascido vivo com Síndrome
de Down |
Chance
de ter um nascido vivo com qualquer cromossopatia |
|
20
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30
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41
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43
44
45
46
47
48
49
|
1:1667
1:1667
1:1429
1:1429
1:1250
1:1250
1:1176
1:1111
1:1053
1:1000
1:952
1:909
1:769
1:602
1:485
1:378
1:289
1:224
1:173
1:136
1:106
1:82
1:63
1:49
1:38
1:30
1:23
1:18
1:14
1:11 |
1:526
1:526
1:500
1:500
1:476
1:476
1:476
1:455
1:435
1:417
1:417
1:385
1:322
1:286
1:238
1:192
1:156
1:127
1:102
1:83
1:66
1:53
1:42
1:33
1:26
1:21
1:16
1:13
1:10
1:8
|
|
|
2 - Avaliação de mutações
gênicas por biologia molecular - testes de DNA
Algumas doenças gênicas
já podem ser identificadas intra-útero
por tecnologia da análise de DNA. Estes testes
são doença-específicos, ou seja,
não existe um teste que avalie todas, ou mesmo
um grupo de doenças gênicas.
Ao geneticista compete orientá-los
quanto à disponibilidade ou não de detecção
pré-natal da doença gênica para
a qual aquele casal está em risco.
Exemplos de doenças gênicas
onde já temos testes disponíveis são:
Fibrose Cística, Werning-Hoffmann,
Gaucher, Distrofia Miotônica,
entre outros.
3 - O material utilizado
– como é feito o exame?
Os materiais utilizados para a avaliação
citogenética e/ou de DNA fetal podem ser:
Vilosidades Coriônicas ( Biópsia
de Vilo Corial);
Líquido Amniòtico (Amniocentese);
Sangue do Cordão Umbilical (Cordocentese).
Cada um destes procedimentos de coleta
tem suas vantagens e seus riscos - ver quadro abaixo
- e a escolha do método mais adequado a cada
situação dependerá da época
da gestação que o casal se encontra, da
sua história obstétrica anterior e da
avaliação de risco/benefício por
parte do casal.
|
Características
dos Métodos de Coleta do Material Fetal |
 |
 |
 |
 |
 |
Método
de
coleta |
Época
da Gestação |
Indicações |
Riscos*
|
Observações** |
|
Biópsia de Vilo
Corial |
10ª
-12ª sem. |
Avaliação
citogenética
Avaliação
de determi-nadas doenças gênicas,
cuja
mutação gênica já
tenha sido identificada e sondada |
|
1.5% |
| Tempo
para o resultado: cerca de 2 semanas.
Pode, em raros casos, ser necessário
confirmação por outro método |
|
|
Amniocentese |
14ª
- 16ª sem. |
0,5% |
| Tempo
para o resultado: cerca de 3 semanas |
|
|
Cordocentese |
a
partir da 20ª sem. |
2% |
| Tempo para
o resultado: cerca de 1 semana. |
|
*
Os riscos para a saúde materna são
praticamente inexistentes, bem como o risco de
seqüelas no feto ao nascimento. O risco citado
refere-se à possibilidade de interrupção
da gestação (aborto) desencadeados
pelo procedimento de coleta.
**Pode se fazer necessária nova coleta
caso não haja crescimento celular adequado
em laboratório que permita uma definição
diagnóstica, isto ocorre em cerca de 1%
dos casos. |
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